Quem é ligado em som vive feito maluco pedindo, por favor, um pouco de silêncio, na tentativa de ouvir algo que ninguém nem sequer perceba que está soando.
Algumas situações são excelentes para quem ama sons. Nas madrugadas, por exemplo, é lindo o som de cachorros latindo lááá longe, cheio de ecos e reverberações, vindo num bairro vizinho.
E o som de um trovão no meio de uma tempestade. Já reparou como o som de um trovão de verdade não tem nada a ver com o som que ouvimos em filmes? Às vezes, um trovão leva mais de 1 minuto para “tocar” seu som inteiro.
Agora, tem um som que quase ninguém repara: é o som da cidade durante um jogo de Copa do Mundo. Todas as pessoas concentradas na frente de uma TV, ou ligadas na transmissão do rádio em alto volume. Na cidade, soa um som lindo e único, e raro de se ouvir.
Resolvi gravar esse som, e compartilho aqui com vocês.
Um gravador portátil, na janela de um cômodo do andar de cima da casa, longe dos ruídos da TV e das vinhetas de rádio… Próximo somente do som que a cidade produzia.
Ouça com fones de ouvido, e curta por alguns segundos o “silêncio” tenso que pairava na cidade, que só foi quebrado pelos desejados 1º e 2º gols.
Em 31 de maio completam-se 34 anos que a banda The Who realizou o show no estádio The Valley, em Londres, considerado o “show de rock mais barulhento” de todos os tempos, recorde acolhido no Guiness Book e mantido por dez anos. O volume medido a 32 metros dos auto-falantes foi de 126 dB, mais intenso que o som de uma britadeira.
De tanto abusar no volume de sua guitarra, o guitarrista da banda, Pete Townshend, teve sua capacidade auditiva definitivamente prejudicada.
Acontece que oouvido humano tem resistência limitada a níveis de ruído. Quanto mais alto o som, mais exposto a danos o aparelho auditivo fica. A medição em decibeis (dB) indica o quanto um som é mais intenso que o mínimo que o ser humano pode escutar, que corresponde a 0 dB.
O que ocorreu com Townshend não foi um acidente. Segundo a Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, um som com intensidade entre 84 e 90 dB causa lesão irreversível na cóclea (em formato de caracol, é a parte doouvido interno onde estão os terminais nervosos responsáveis pela audição). Esta lesão será mais ou menos grave quanto maior for o ruído.
Alguns sintomas podem avisar se a orelha está sofrendo de sobrecarga:
dificuldade de entender o que se é dito, perda de audição, tinitus (um som agudo e persistente vindo de dentro do ouvido que pode surgir em decorrência de uma infecção, por exemplo), otorreia, tonturas, e outros.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera 50 dB (decibéis) o volume máximo para que um som não cause nenhum mal ao organismo humano. A partir disso, efeitos negativos já começam a afetar a audição. Para entender melhor, aqui estão alguns exemplos de intensidade sonora:
- torneira gotejando (20 db), mesmo de madrugada. Um som desta intensidade no meio da noite pode deixá-lo muito irritado, mas não o deixará surdo!;
- sussurro (30 dB);
- música baixa (40 db), mesmo aquela que você não gosta!;
- conversa tranqüila (40-50 db);
- conversa normal (60 dB). Essa medição não vale se sua família for italiana, como a minha!;
- restaurante com movimento (70 db);
- secador de cabelo e trem de metrô (90 db);
- caminhão (100 db);
- buzina de automóvel (110 db);
- turbina de avião (130 db);
- tiro de arma de fogo próximo (140 db)
A partir de uma intensidade de 120 dB, o nosso ouvido começa a doer.
Poluição Sonora
Não é só esse tipo de som que nos incomoda. A poluição sonora está presente no nosso dia-a-dia, causando estresse, depressão, ansiedade, problemas cardíacos e até surdez. Ela é definida como sons, barulhos ou ruídos de duração prolongada e com intensidade incômoda aos ouvidos humanos, e pode vir dos barulhos do trânsito, cachorros latindo, restaurantes, máquinas funcionando, telefones tocando, entre outros. Ruídos da natureza não são frequentemente classificados como poluição sonora por causa de sua duração, como um trovão, intenso, mas curto.
Ser atingido pela poluição sonora parece inevitável, mas não é: nós podemos, sim, reduzir que nos cerca. Para começar, desligue-se de tudo e desligue tudo:a TV, o celular, as lâmpadas florescentes, o computador, e tudo o mais que puder. Feito isso, tente identificar cada mínimo ruído que ouve. Grandes cidades produzem sons que podem parecer banais, mas geram grande desconforto, e reconhecê-los e as suas fontes pode reduzir o estresse advindo deles.
Marina Domene
Não há imagens, mas aqui está a gravação da música de encerramento do show ensurdecedor:
Em homenagem ao compositor Ennio Morricone, o site Playlist preparou uma lista com as 20 melhores trilha sonora de filme e seus compositores.
Ennio Morricone é compositor, maestro e arranjador. Ele compôs a trilha sonora de mais de 500 filmes e programas de TV e 120 peças para orquestras ainda inéditas. Ultimamente, o italiano nascido em Roma, em 1928, tem focado seu trablho nestes arranjos, deixando o cinema e a tv em segundo plano. Recentemente, fez um concerto no Royal Albert Hall, em Londres.
Para homenagear e gravar na memória este show raro, em que o italiano executou algumas de suas obras para cinema, o site britânico Playlist elegeu uma lista com as 20 melhores trilhas sonoras e seus compositores.
Os 5 primeiros da lista
1 - Lawrence da Arábia (1962)
Compositor: Maurice Jarre
2 - O Terceiro Homem (1949)
Compositor: Anton Karas
3 - Sete Homens e um Destino (1960)
Compositor: Elmer Bernstein
4 - Três Homens em Conflito (1966)
Compositor: Ennio Morricone
5 - Casablanca (1942)
Compositor: Max Steiner
Ennio Morricone
Ennio Morricone compôs a trilha sonora de diversos filmes, inclusive algumas das mais conhecidas dos “western spaghetti”, ou bang-bang à italiana, dirigidos pelo cineasta Sergio Leone. Dentre os mais conhecidos estão “Por um Punhado de Dólares” (1964), “Por Uns Dólares a Mais” (1965), “Três Homens em Conflito” (1966) e “Era uma Vez no Oeste” (1968). As principais obras para o cinema de Morricone são “Era Uma Vez na América” (1984), “A Missão” (1986), “Os Intocáveis” (1987) e “Cinema Paradiso” (1988).
Com o fim da década de 2000, a revista britânica Rolling Stone elegeu os 100 melhores álbuns dos últimos 10 anos.
A revista britânica Rolling Stone elegeu os 100 melhores álbuns da primeira década do século XXI. Mais de cem 100 pessoas listaram os 25 álbuns lançados entre 2000 e 2009 de que mais gostaram, em ordem de preferência. As 100 pessoas que compuseram o grupo são parte da equipe da Rolling Stone, artistas e jornalistas. Nomes famosos também opinaram, entre eles, Yoko Ono. Na lista dos 100 melhores álbuns entraram 74 artistas diferentes. Destes, 19 bandas tiveram mais de um álbum escolhido: 14 tiveram dois álbuns, 3 tiveram 3 álbuns (U2, Coldplay e Kings of Leon) e 2 tiveram 4 álbuns escolhidos (Kanye West e Radiohead, eleito o primeiro lugar).
Os 5 melhores álbuns
1° Lugar: Radiohead, com 4 álbuns no top 100, com o álbum Kid A, lançado em 2000; (How to Disappear Completely)
2° Lugar: Is This It, álbum de estreia dos The Strokes, lançado em 2001; (Last Night)
3° Lugar: Yankee Hotel Foxtror da banda Wilco, também lançado em 2001; (Ashes of American Flag)
4° Lugar: o álbum The Blueprint, de Jaz-Z, lançado em 11 de setembro de 2001; (Jigga That Nigga)
5° Lugar: o álbum Elephan, dos Whiste Stripes, lançado em 2003. (Seven Nation Army)
Uma combinação curiosa de gatos cantores tem levado milhões de pessoas ao teatro. O musical “Cats” estreou em São Paulo em uma quinta-feira, dia 4 de março, e poderá ser visto no Teatro Abril, até dia 30 de maio. As canções do musical foram traduzidas e adaptadas por Toquinho.
A peça foi baseada em 14 poemas do livro infantil “Old Possum’s Book of Practical Cats”, do americano T. S. Elliot. As letras originais são de Tom Rice, e os arranjos, de Andrew Lloyd Webber, o mesmo de “O Fantasma da Ópera”. A história se passa em um beco londrino, numa noite em que uma tribo de gatos compete por uma grande oportunidade de fazer uma viagem para outra vida!
O espetáculo estreou no New London Theatre, em Londres, em 11 de maio de 1981. Em 7 de outubro de 1982, foi para a Broadway, onde conquistou o record de maior período de permanência, em 1997. “Cats” é o segundo espetáculo mais visto da Broadway. Só ali foi apresentado 7485 vezes. Em Londres, a peça teve 8949 apresentações.
E espetáculo “Cats” foi traduzida para 10 línguas e recebeu 10 prêmios, e foi apresentado em mais de 20 países e 250 cidades.
As 10 canções do musical foram traduzidas e adaptadas para o português por Toquinho. O compositor já havia trabalhado em parceria de Paulo Cesar Pinheiro, em 2000, para compor as 8 canções da peça “Outros Quinhentos”, de Millôr Fernandes, em comemoração aos 500 anos de Descobrimento do Brasil. Entretanto, a peça só ficou em cartaz durante um final de semana. Em entrevista, o cantor declarou que quase desistiu do desafio de “Cats” quando percebeu que o trabalho seria muito maior do que imaginou, já que tudo deveria ser preciso. O espetáculo precisava ser tão fiel ao original quanto fosse possível, contando com a presença do coreógrafo e de uma das atrizes que trabalharam na primeira montagem da peça.
Um musical
Um musical é uma peça de teatro em que se combinam dança, música, canções e diálogos falados. Este gênero é semelhante à ópera e ao cabaré, apesar dos estilos serem distintos. Para que uma peça desse gênero faça sucesso, precisa ter canções marcantes.
No caso de “Cats”, os atores cantam acompanhados por uma banda. Tudo ao vivo.
A banda é formada por dez músicos: 3 pianistas, um violoncelista, um trompista, dois saxofonistas (que tocam flauta e clarinete também), um baixista, um guitarrista, um violonista e um baterista (que toca todo o set de percussão).
“Tocamos em um estúdio atrás do palco. De lá, o maestro só tem contato visual com os cantores por meio de monitores”, diz o guitarrista Jorge Ervolini. É muito comum os músicos não estarem no campo de visão da plateia em espetáculos desse tipo. A banda pode estar em um estúdio, como no caso de “Cats”; no caso do chamado “fosso de orquestra”, um andar mais baixo, localizado entre a plateia e o palco, o maestro tem contato visual direto com o elenco. Há alguns casos em que alguns músicos tocam em um outro andar, vendo o maestro através de monitores,os instrumentos são microfonados para que soem em conjunto com outros, um recurso usado quando não há espaço para todos os músicos no fosso de orquestra.
Onde e quando vê-lo
“Cats” está em cartaz no Teatro Abril, na Av Brigadeiro Luis Antonio, nº 411, no bairro da Bela Vista, e tem duração de 2h e 40min, com cerca de 20min de intervalo. O ingresso mais barato custa R$70, e vale para o Balcão B.
Anualmente, a UNESCO promove o FIAMP, Festival Internacional do Audiovisual e da Multimídia sobre o Patrimônio. Este Festival foi criado para promover e disseminar produções no campo de museus cibernéticos. Ele premia filmes e vídeos de diversas metragens e algumas artes em multimídia.
Este ano, o vídeo brasileiro “Memorial da Resistência”, realizado pela produtora de audiovisual Preto e Branco, com trilha sonora de Mauricio Domene, do Estúdio Next, ganhou o Grand Prix na categoria Curta Metragem.
O vídeo é exibido em uma das salas do antigo prédio do DOPS, Departamento de Ordem Política e Social, numa exposição permanente chamada Memorial da Resistência, que retrata as condições e o tratamento recebidos pelos presos políticos durante o Regime Militar brasileiro, de 1964 a 1979.
A trilha sonora para o vídeo foi toda composta com sons de piano preparado. Esta técnica, criada por John Cage, consiste em produzir sons quase estranhos, obtidos a partir de batida na madeira, arranhaduras nas cordas e colocando-se objetos próximos a elas.
Segundo o site oficial do Festival, o vídeo foi premiado “por sua capacidade de usar uma encenação original capaz de envolver emocionalmente o espectador, sem abrir mão do rigor científico, comunicado com precisão”.
Brian Eno foi integrante da banda Roxy Music (sintetizadores, década de 1970), compositor inovador (criador da Ambient Music), e produtor de bandas como Talking Heads, Devo, Cold Play, fez remix para Depeche Mode e Massive Attack.. ah, estava esquecendo: produziu 7 albuns para o U2. Só besteirinhas, coisa pequena…
A entrevista é longa, mas muito boa. Documentário produzido pela BBC:
Ouve o que esse cara fez com o filme Pulp Fiction:
Nas aulas de música que eu tive quando era criança aprendi que música era diferente de ruído. Mas ninguém explicou por que. Nem eu entendi, já que adorava usar ruídos pra fazer música. Acho que vem daí minha admiração pelo Hermeto Pascoal.
Há uma teoria que diz que a diferença entre ruído e música é a periodicidade. Ou seja, se pegarmos um ruído e o repetirmos em um intervalo constante, ele vira música.
Pode experimentar ai: pega uma colher e bate numa xícara e você tem um ruído. Bate a colher na xícara com constância e você tem 2 coisas: Rítmo (música) e uma mulher gritando pra você parar que parece criança na mesa.
Entre os anos de 1960 e 1985, muitos países latino-americanos viveram sob ditaduras militares cujo método de garantir a ordem era calar a população. Para isso, não havia limites. Na Guatemala, estima-se que 45 mil pessoas tenham desaparecido debaixo dos regimes de repressão; Na Argentina, cerca de 30 mil foram seqüestradas; Em 11 de setembro de 1973, Augusto Pinochet tomou o poder no Chile, e aproximadamente 31 mil pessoas desapareceram nos anos seguintes. Outros países também sofreram revezes em suas histórias através da tomada de poder e posterior implementação de regimes ditatoriais. Na República Dominicana, em1966, Joaquín Balaguer tomou o poder fraudando eleições e reprimindo severamente opositores políticos; No Haiti,em 1957, François “Papa Doc” Duvalier foi eleito presidente mas passou a governar numa ditadura sangrenta e baseada na tortura e no terror. Foi sucedido por seu filho, “Baby Doc”, igualmente perverso; No Uruguai, em 1973, foi o grupo guerrilheiro articulado pelos Tupamaros que serviu de base para a implantação da ditadura militar; No Paraguai, a ditadura militar do General Alfredo Stroessner, “El Rubio”, foi instaurada em 1954 e só começou a enfraquecer em 1989. Desde janeiro de 1959, Fidel Castro governa Cuba sob a marca do medo e do silêncio.No Brasil, em 1964, teve início o período sombrio da história com a Ditadura Militar, só encerrado em 1982, com a realização de eleições indiretas, cujo candidato mais forte era um civil.
A arte toda fala da realidade de um país, mas é a música a ser reproduzida na voz das pessoas nas ruas, no canto do rádio que invade a atmosfera e os ouvidos do povo, liberando gritos por justiça. Em cada um dos países citados, sangue de músicos foi derramado para que não fossem eles os profetas da liberdade que seus povos ansiavam.
Cada um dos países teve seu mártir vindo da música. Por exemplo,Victor Jará, assassinado no Chile; Daniel Viglietti, perseguido no Uruguai; Glória Estefan, que abandonou Cuba para não ser morta; Geraldo Vandré, torturado no Brasil.
Mercedes Sosa foi esta voz maior, este tributo à liberdade cantado a plenos pulmões. Quem dera cada músico olhasse para estes mártires e tornasse um bem maior para seus povos, um caminho que os levassem à dignidade e à cidadania.
Mercedes Sosa morreu no domingo, dia 04 de outubro. Desde 18 de setembro, a saúde de Mercedes deteriorou-se. Internada na UTI de um hospital em Buenos Aires, com problemas renais progressivos, complicações cardiorrespiratórias e respirando com a ajuda de aparelhos, Mercedes recebeu a extrema unção na sexta-feira, indicando que seu quadro era irreversível.
Fábio Matus, único filho de Mercedes, disse à imprensa argentina que sua mãe viveu uma vida plena e fez praticamente tudo o que quis.
Mercedes é uma das intérpretes mais conhecidas da música latino-americana e a mais famosa artista Argentina, citada ao lado de nomes como Carlos Gardel e Astor Piazzolla. Mercedes Sosa foi um “símbolo de liberdade”. Ela inspirou combatentes dos regimes militares por toda a América Latina.
“A vida me escolheu para cantar”, declarou poucos meses atrás.
Mercedes Sosa foi indicada para 3 prêmios Grammy’s 2009, incluindo o de melhor álbum.
Morre alguém que fez muito mais do que arte. Mercedes guerreou por seu povo. A voz da América Latina se calou para sempre.
História
Haydée Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, Argentina, em 9 de julho de 1935. O lugarejo era pobre e sua família trabalhava na lavoura. Desta vida humilde veio o apego às expressões artísticas populares. Adolescente, gostava das danças folclóricas, e até de ensiná-las, além de cantar.
Em outubro de 1950, arriscou-se em um concurso organizado pela rádio LV 12, da cidade onde vivia. Mercedes contava que só se inscreveu por causa do incentivo e insistência de um grupo de amigas. A vitória no concurso levou-a ao primeiro contrato… De 2 meses de duração. Mas o timbre grave de sua voz e seu estilo folclórico atraiu a atenção de muita gente.
Mercedes Sosa ficou conhecida por uma militância política corajosa.
Com 25 anos, em fevereiro de 1963, comprometeu sua voz e sua carreira com a música de raiz argentina, integrando-se ao movimento Nuevo Cancionero, fundado pelos artistas Manuel Orçar Matus (marido de Mercedes); Armando Tejada Gómez (autor de “Canción con todos“, considerado um hino latino americano. Em 1952, Gómez sofreu banimento da profissão de locutor de rádio na Argentina por se negar a usar luto pela morte de Eva Perón); e Tito Francia. O movimento nasceu na cidade de Mendonza, e suas raízes fincavam-se na cultura afro, cubana, andina e espanhola. O movimento também propunha que a música retratasse a luta diária do povo argentino, suas alegrias, suas tristezas; seus fundadores rechaçavam o que chamavam de imperialismo norte-americano e a desigualdade social. Este mesmo movimento conquistou vozes como as de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque.
Em 1965, Mercedes passou a ser chamada de La Negra: por causa dos cabelos negros, lisos e sempre longos, sua pele escura e sua ascendência nativa. Mercedes nunca se opôs ao apelido!
Em 1967, sua voz, seu jeito de cantar e sua personalidade ganharam a Europa e os Estados Unidos, em turnês que percorreram o solo anglo saxão.
Durante alguns anos, Mercedes Sosa e o marido cantaram em universidades argentinas promovendo a cultura popular.
A personalidade e atitude de Mercedes surpreendiam o público. Seu marido lançou um selo independente para abrigar os álbuns que eles lançavam. Mas, apenas em 1965, durante o Festival Nacional de Folclore de Cosquín, Mercedes foi apresentada ao grande público”. Em abril de 1967, Mercedes gravou “Mujeres Argentinas”, trabalho que foi concretizado somente em 1969, quando a Argentina entrava no seu período de ditadura. Muitos argentinos foram presos, e algumas músicas de Mercedes Sosa sofreram censura na Rádio Nacional, emissora estatal Argentina.
O ano de 1973, foi um ano de lutas pela volta da democracia na Argentina, e um tempo de muita violência. Mercedes continuava seu trabalho militante, cantando a realidade que o país vivia.
Em 1976, Mercedes Sosa lançou um álbum em que cantava a poesia de artistas como Pablo Neruda, Víctor Jará,Alicia Maguiña ,Ignacio Villa, e outros.
Em 1977 o clima político e social na Argentina era extremamente tenso.Em 1979, a violência sacudia a sociedade argentina, e Mercedes continuava a cantar, apesar da morte de segundo marido. Havia um clima hostil entre ela e o governo argentino, que queria obrigá-la a exilar-se. Durante um show em La Plata, cidade universitária controlada pela ditadura, a polícia formou um cerco em torno da casa de espetáculo onde Mercedes se apresentava, deteve La Negra e todo o público que ali a prestigiava.
Mercedes foi liberada depois de 18 horas por causa da pressão dos veículos e organismos internacionais, mas resolveu exilar-se, embarcando paraParis com uma pequena bagagem e uma bolsa de mão. Em 1980, mudou-se para Madri.
Teoricamente, Mercedes Sosa podia entra e sair da Argentina livremente, mas não tinha autorização para cantar. Ela não poderia viver assim. Num país onde a vida humana não tinha nenhum valor, e milhares de pessoas desapareciam sob a escuridão de um regime usurpador, a voz de Mercedes seria um grito de liberdade. Mercedes sabia o que ocorria com os artistas que tinham permanecido na Argentina durante aqueles anos.
Mercedes só teve permissão para apresentar-se na Argentina em 1982, poucos meses antes de ser deflagrada a Guerra das Malvinas. Sua reestréia em Buenos Aires ocorreu no Teatro Ópera, em uma temporada muito comemorada. Mas foi só uma passagem. Mercedes só receberia autorização para voltar para casa em 1984, com o fim da ditadura. No show de sua volta, uma multidão a assistiu em Buenos Aires. O show teve a participação de Milton Nascimento, que também a incentivou a firmar carreira no Brasil.
Mercedes recebeu muitas homenagens ao longo da vida. Em 1989, ganhou a medalha da Ordem do Comendador das Artes e Letras do governo da França e , em 1992, foi declarada cidadã ilustre de Buenos Aires; em 2000, recebeu o Grammy Latino de melhor intérprete internacional; Está indicada para 3 Gramy’s 2009, incluindo melhor álbum.
A carreira de Mercedes pelo Brasil teve o apoio de Milton Nascimento, com quem gravou a faixa “Volvera los 17” do álbum dele Geraes – 1976.Mercedes Sosa fez parceria vocal com Beth, Carvalho (So le piedo a Dios. Ela cantando em espanhol e Beth em português!), Fagner (Años – 1891), Caetano Veloso, Chico Buarque, Daniela Mercury… A lista é longa!