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Outubro de 2014

 

O filme Musée d’Orsay  produzido pela Preto e Branco, com trilha sonora de Mauricio Domene para o Estúdio Next levou o Silver Short Film Award no FIAMP – Festival Internacional de Audiovisual e Multimídia sobre Patrimônio 2014, promovido pela UNESCO. O curta fez parte da exposição Impressionismo – Paris e a Modernidade, realizada no CCBB São Paulo e no CCBB Rio de Janeiro.

 

 

É a segunda vez que a Preto e Branco e o Estúdio Next são premiados pelo FIAMP. Em 2010, o vídeo “Memorial da Resistência”, ganhou o Grand Prix na categoria Curta Metragem.

 

 

FIAMP é um festival organizado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), um dos braços da UNESCO, através do Comitê Internacional para Audiovisuais e Novas Tecnologias de Som e Imagem (AVICOM). Ele é direcionado a profissionais de tecnologia e comunicações e cultura e tem o propósito de incentivar a produção e a difusão de produções audiovisuais e multimídias por museus e instituições culturais. As peças inscritas no Festival são julgadas por um juri internacional, composto por curadores, cientistas, especialistas em cultura e tecnologia em comunicação.

Cada edição é realizada em um país. Neste ano, a Rússia foi sede da premiação.

05/outubro/2011

A Fundação Itaú Cultural lançou a campanha Leia para uma Criança. Nesta campanha são narradas histórias de pessoas que tiveram suas vidas influenciadas pela leitura. Ziraldo, Ângela Lago e Suppa contam, em filmes curtinhos, como é ver a vida também através das páginas de uma história.

Mauricio Domene produziu a trilha para estes três filmes. A mesma sensibilidade expressa em três narrativas diferentes, reais e tocantes!

Mais informações sobre essa campanha: http://www.itau.com.br/itaucrianca/

29/junho/2011

“Jabez Stone, um fazendeiro de sucesso do século passado, que fizera um pacto com o demônio havia pouco tempo, desce as escadas correndo para buscar água quente para sua esposa e para o filho recém-nascido.

Uma camareira de uma beleza do outro mundo cumprimenta-o próximo à lareira. Uma música persistente, fascinante e assutadora soa pelo ar.”

Esta é parte de um clássico de 1941: O diabo e Daniel Webster, filme que resultou em um Oscar de melhor trilha sonora para o compositor Bernard Herrmann.

Naquela época, Herrmann reinventou a arte de compor uma música inovadora para as trilhas sonoras dos filmes. A música de Psicose é um dos exemplos disso. Alfred Hitchcock foi um parceiro na carreira de Herrmann, até que uma trilha recusada pôs fim à parceria e à amizade.

Outros diretores requisitaram as trilhas sempre surpreendentes de Bernard Herrmann. Entre eles, Ray Harryhausen, para quem Herrmann trabalhou em Mysterious Island and Jason And The Argonauts, o francês Francois Truffaut, que contratou Herrmann para compor as trilhas para Fahrenheit 451 and The Bride Wore Black. Brian DePalma e Martin Scorsese também figuram na lista de produtores e diretores que confiaram filmes ao talento de Bernard Herrmann.


Bernard Herrmann

Bernard Herrmann é considerado um dos maiores compositores de trilha sonora para cinema, especialmente, da música de suspense. Herrmann se destacou pela estrutura de suas músicas, pelo uso dos instrumentos musicais e por seu estilo de composição. O estilo de Bernard Herrmann ditou a maneira como os filmes passaram a ser musicados a partir de sua época.

Ele nasceu no dia 29 de junho de 1911, em Nova York, e começou cedo a estudar música através do violino. O reconhecimento de seu talento veio logo também. Com 13 anos, Herrmann recebeu o primeiro prêmio por uma composição. Talvez isso não seja considerado prodigioso hoje, mas em sua época o tornava digno de muito destaque. Interessado, Herrmann realizou longa pesquisa sobre Charles Ives 1874-1954, músico e compositor graduado pela Yale University em 1898, conhecido por seu estilo musical independente e grande talento. Hermann foi aluno da Juilliard School, e aos 18 anos, conduziu o Ballet Americana, e formou a The New Chamber Orchestra; aos 21, começou a compor para orquestras sinfônicas para programas de rádio. Nos anos seguintes tornou-se regente da Rádio CBS de Nova York, por indicação do amigo Orson Welles. Também através dele, Herrmann compôs sua primeira trilha sonora para o cinema, para o filme Citizen Kane, em 1941. Naquele mesmo ano, Herrmann levou o Oscar de melhor trilha sonora por O diabo e Daniel Webster (The Devil And Daniel Webster). No ano seguinte, recebeu indicação ao prêmio por Citizen Kane.

A maioria das composições daquela época eram feitas para orquestras, com arranjos majestosos,imponentes. Herrmann utilizava instrumentos específicos, melodias curtas e fáceis de serem reconhecidas, arranjos simples. Lembra da cena do banheiro no filme Psicose, de 1960? A trilha para ela foi composta por ele só para cordas.

Bernard Herrmann tinha uma personalidade forte e pouca paciência com as pessoas. Talvez pelo seu grande talento, ele manteve parcerias importantes. Seu nome é muito ligado ao de Alfred Hitchcock, o mestre do suspense, para quem compôs as trilhas de O Homem que Sabia Demais (1958), desta vez dirigindo uma orquestra; Um Corpo que Cai (1958), para o qual compôs Prelude que pode ser dividido em duas partes: a primeira com violinos, madeiras, vibrafone e harpa, e a segunda, quando surgem as cordas. A primeira parte traz o turbilhão do terror; a segunda é um tema mais romântico.

Mas, não foi só compondo para filmes de suspense que Herrmann se destacou. Seu trabalho em filmes como Simbad e a Princesa (1958), As Viagens de Gulliver (também de 1960), A Ilha Misteriosa (1961) e O Velo de Ouro (1963), em parceria com Ray Harryhausen, mestre em efeitos especiais, que também faz aniversário hoje (91 anos), também fez história.

Por exemplo, O Velo de Ouro, filme épico baseado numa história da mitologia grega, foi gravado quadro a quadro e recebeu uma trilha sonora forte e marcante. Herrmann compôs uma trilha que fortalece a ação do filme, dando intensidade ao impacto da história.

Viagem ao Centro da Terra, de 1959, produzido por Henry Levin, recebeu uma trilha orquestrada majestosa, com destaque para o vibrafone, metais, cinco órgãos e harpas. A sonorização feita por Herrmann vestiu as cenas de dramaticidade e força.

Para Herrman, “as frases musicais curtas são mais fáceis de serem captadas pelo espectador”. Herrmann também lançava mão de acordes não resolvidos e bitonais para aumentar a tensão de suas trilhas, e de estruturas musicais simples para envolver o espectador; Herrmann também explorava timbres e figuras rítmicas para pontuar as cenas. Estes detalhes do trabalho de Herrmann o tornavam complexo no todo, eficiente na narrativa e na densidade psicológica da trama e das personagens.

Bernard Herrnam morreu em 23 de dezembro de 1975, vítima de uma ataque cardíaco fulminante em um quarto de hotel, horas depois de finalizar a gravação da trilha sonora de Táxi Driver, de Martin Scorcese.


Parcerias

Herrmann e Hitchcock

Em 1927, Alfred Hitchcock, contente com o cinema mudo, não gostou da novidade que a Warner Brothers decidiu implantar. Era o tempo de deixar a música e as falas entrarem definitivamente no contexto do cinema. Hitchcock acreditava que nos últimos anos do cinema mudo, cineastas haviam chegado à perfeição em suas produções, e a introdução da técnica sonora comprometeria esta perfeição.

Hitchcock continuou seu trabalho no cinema falado, explorando os efeitos que o som imprimia sobre a imagem e a própria dramaticidade cinematográfica. Ele trabalhou com cerca de 20 compositores em sua carreira, todos músicos de primeira grandeza.

Em 1945, Hitchcock pediu a Herrmann que se entrasse para a equipe que filmaria Quando fala o coração. Herrmann não quis.

Mas ele era o melhor, e em 1955, Hitchcock refez o convite, desta vez, para a prudução de O Terceiro Tiro. A partir dali, a parceria começou a vingar.

Em O Homem que sabia demais, é executada uma música tocada pela Orquestra Sinfônica de Londres, sob a regência de Herrmann durante 9 minutos e quinze segundos, considerada durante muito tempo a sequência musical mais longa do cinema. Em Um Corpo que Cai, o tema musical ressaltou o clima e a sensibilidade de algumas cenas de maneira surpreendente. Os pássaros foi o filme mais desafiador para Herrmann. Não há música, e o trabalho do compositor foi sonorizar a fita, produzindo o ruído dos pássaros que atacavam as pessoas dentro da casa e na rua, e outros sons. Isso em 1963, com recursos tecnológicos rudimentares.

Em Psicose, a união dos dois ficou muito clara. A abertura recebeu uma trilha quase sufocante. Durante todo o filme, a trilha imprime tensão e agonia às cenas em preto e branco, cheias de sombras, envolvendo o espectador. Na cena do chuveiro, os violinos gritam com a vítima enquanto ela é esfaqueada.

A parceria e a amizade de 11 anos (1955-1966), terminaram quando Hitchcock rejeitou a trilha composta por Herrmann para Cortina Rasgada.


Herrmann e Orson Welles

Amigo de Herrmann, era radialista e trabalhava na rádio CBS, em Nova York. Welles era diretor do programa semanal de radionovela com o grupo de teatro Mercury. Na véspera do Halloween de 1938, Welles transmitiu uma adaptação da obra de ficção científica A Guerra dos Mundos, de Hebert George Wells. O objetivo era fazer as pessoas entrarem no clima do halloween. Welles e o grupo Mercury noticiaram que marcianos estavam invadindo a Terra. A representação foi tão convincente que grande parte da população entrou em pânico.

O equívoco começou às 20H00 do dia 30 de Outubro de 1938 com um aviso de que o programa daquele dia era uma encenação. A transmissão durou 1 hora com entrevistas com especialistas, cobertura jornalística da invasão marciana, depoimentos de testemunhas, sonoplastia e músicas que acentuavam o clima de temor.

Cerca de 6 milhões de pessoas ouviram ao programa. Graças à audiência rotativa do rádio, metade não ouviu o aviso inicial. Aproximadamente 1,2 milhão de pessoas acreditou na história; cerca de 500 mil se desesperaram; muitas fugiram de casa, houve congestionamento e sobrecarga de linhas telefônicas.

No final do programa, Welles anunciou a morte dos marcianos e reforçou que tudo era ficção e todos os envolvidos eram atores. O ocorrido gerou muita discussão sobre responsabilidade jornalística. Orson Welles foi processado, mas foi contratado por Hollywood e se tornou um revolucionário das técnicas de filmagem.

Citizen Kane foi o primeiro trabalho em parceria entre Herrmann e Welles. A trilha é tão competente, que rendeu a Hermann uma indicação ao Oscar, e ao filme, o papel de destaque como um dos melhores filmes do cinema em mais de 50 anos.


Herrmann e Ray Harryhausen

Ray Harryhausen nasceu em29 de junho de 1920, sob nome de Raymond Frederick Harryhausen. Ainda hoje, é animador stop motion, uma técnica de animação que fotografa os modelos quadro a quadro. No século XX, Harryhausen era o principal técnico da área na indústria do cinema norte-americano. Seu trabalho é respeitado por diretores como Tim Burton e James Cameron, Steven Spielberg e George Lucas.

Velo de Ouro (1963), foi um dos marcos do cinema de ficção, considerado um filme épico, avançado para a época tanto nos efeitos visuais como na integração som/imagem, resultado da parceria de Harryhausen e Herrmann.

Texto: Chris Gialucca

09/junho/2011

Mildred Wolf, a última pianista viva que acompanhou os filmes do cinema mudo morreu no último domingo em sua casa, em Los Angeles, Califórnia, de causas naturais, um dia depois de completar 101 anos de idade.

A pianista nasceu em Minneapolis, sob o nome de Mildred Weisberg em 28 de maio de 1910, e estudou orgão para cinema com Lawrence Morton, arranjador e compositor de trilhas para o cinema mudo nos anos 50.

Em 1926, Mildred acompanhou filmes do cinema mudo no Wurlitzer Theater Organ. Sua carreira não foi longa. Logo, ela se aposentou.

A imagem, os sons e a música

Os filmes nasceram mudos. Mas a falta de comunicação verbal logo revelou-se problemática. No começo, recorreu-se às legendas, aos movimentos de câmera, enquadramentos. Todos estes recursos se tornariam fundamentos da linguagem da produção cinematográfica.

Mas, ainda sim, não era suficiente. Logo, introduziu-se a música como acompanhamento ao vivo. Profissionais, como Mildred Wolf, tocavam piano ou órgão, enquanto o filme era apresentado nas salas de exibição. Desta maneira, era criada a ambientação sonora.

Na época, técnicos e cineastas experimentaram a sonoplastia ao vivo (Imagine o som de trovão feito com placas de metal ali, ao lado do espectador), o diálogo entre atores realizado no cantinho da sala de exibição… Mas nada deu o resultado esperado.

Para alguns estudiosos, a música foi incorporada para reduzir o peso do ruído dos projetores nas salas. Inicialmente, os projetores ficavam na própria sala de exibição, e seu ruído era muito alto e incômodo. Mais tarde, foram criadas as técnicas, salinhas para isolar os projetores.

Para outros, a sala era um lugar meio estranho para o espectador: escura, onde as pessoas ficavam todas sentadas em fileiras, voltadas para uma cena inexistente. Era como assistir a um show de fantasmas. A música viria a quebrar esta situação, até certo ponto, tenebrosa. Imagine a diferença entre uma sala de exibição de cinema e uma de teatro nos anos de 1920. Claras, orquestradas, coloridas, sofisticadas, as salas de teatros eram completas!

Estudos mais recentes incluem outras razões para a necessidade da música nos filmes mudos: um seria a ambientação histórica; outro, ambientação estética; mais um, razões psicológicas; e por último, razões pragmáticas (práticas, mesmo: encobrir o ruído do projetor, por exemplo).

Mas parece que a música foi incorporada nas exibições dos filmes para intensificar a impressão de realidade, criando uma profundidade visual envolvente para o que era projetado na superfície fria à frente do público, simular uma atmosfera mais real à cena representada e intensificar a sensação de movimento. Neste aspecto, hoje, sabe-se que a música confere movimento às cenas de um filme. Mas estamos falando dos primórdios da produção cinematográfica e de tudo isso dentro de uma sala escura e fria.

No cinema mudo, a música foi fundamental. Ela influenciou a linguagem cinematográfica inicial, alterou a percepção da imagem cinematográfica. Como já foi dito: “o cinema nasceu sem fala, mas, com certeza, nasceu musical”.

A História

A primeira exibição de um filme comercial ocorreu no Grand Café do Boulevard dês Capucines, em 28 de dezembro de 1895. Lá estava o piano tocando acompanhando o filme, que foi promovida pelos irmãos Lumiere. Em 1896, várias exibições ocorreram em Londres já com acompanhamento de orquestras. Parece que não havia muita preocupação com o enredo do filme, por isso, não se pode chamar estes acompanhamentos musicais de trilhas sonoras, nas quais a música coopera com as imagens para a narrativa.

O acompanhamento musical, na época do cinema mudo, não tinha relação com a mudança de cenas, nem com sincronismo com a imagem. Este advento só foi possível depois do estabelecimento da relação precisa imagem/som.

A música que acompanhava a exibição dos filmes mudos também era sujeita à imprecisão das apresentações ao vivo. Ainda que a composição fosse precisa, a execução não o era!

O tipo de música de acompanhamento dos filmes variava bastante. Enquanto nas grandes e sofisticadas salas de exibição das grandes cidades tinham acompanhamento mais elaborado, nas salas mais humildes das cidades menores o acompanhamento musical era feito com recursos simples. A diferença entre as exibições também ocorria entre a relação música e conteúdo da imagem. Por isso, o mesmo filme exibido em salas diferentes tinham um acompanhamento musical completamente distintos.

Geralmente, as músicas tocadas eram parte do repertório tradicional da região onde o filme era exibido. Quem escolhia o repertório era o músico responsável pela sala, às vezes, um único músico, um organista, como Mildred Wolf. Ainda nesta época, alguns músicos tentavam alguma forma de sincronismo, mas sem grandes resultados.

Os filmes tinham duração pequena. Por isso, muitas vezes, não eram necessárias muitas canções para “cobrir” toda a história.

Naquela época, as improvisações eram comuns. As improvisações eram usadas nas transições entre uma música e outra e para preencher as lacunas entre o filme e o acompanhamento musical.

Mais tarde, o músico responsável pela sala de exibição começou a ver antecipadamente a película e a selecionar trechos mais curtos que mudavam de acordo com a cena do filme. Ainda era a época do cinema mudo, mas a relação música/imagem já começava a ser mais íntima. Mais tarde, essa mudança de comportamento despertou interesse aos produtores de cinema.

Alguns editores musicais passaram a publicar coletâneas musicais para o acompanhamento de alguns filmes. As coletâneas eram catalogadas pela dramaticidade do filme. A seleção musical adequava-se a um tipo específico de cena: mistério, catástrofe, romantismo, terror… Algumas destas músicas eram adaptadas; outras, eram compostas.

Em 1908, o compositor francês Camille Saint-Saëns compõs Lê Film d’Art para L’Assassinat du Duc de Guise, a primeira partitura original. Em 1909, a Edison Film Company distribuiu a primeira película com sugestão de acompanhamento musical. O filme já vinha com a seleção musical escolhida pelos produtores.

A presença dos músicos acompanhando os filmes dava à exibição das películas uma aparência ainda muito semelhante à do teatro. Embora o filme pudesse ser exibido seguidamente, como acontece hoje, o acompanhamento não funcionava assim. Existiam as sessões de cinema. A exibição mantinha um caráter artesanal.

Os músicos continuaram a acompanhar as sessões de cinema até meados da década de 1930, quando surgiram os primeiros recursos de gravação.

Texto: Chris Gialucca

11/maio/2011

Há 30 anos, morria Bob Marley. Este era o nome artístico de Robert Nesta Marley, que nasceu em 6 de fevereiro de 1945. Cantor, guitarrista e compositor, este jamaicano é o mais conhecido músico de Reggae. Em suas músicas, Bob Marley falava do problema dos pobres e oprimidos e de sua religião, o Rastafari.

A vida

Em 6 de fevereiro de 1945, o mundo comemorava o fim da Segunda Grande Guerra. Em uma vila no interior da Jamaica de nome Nine Mile, era comemorado o nascimento de um menino a quem foi dado o nome de Robert, Robert Nesta Marley, filho de Cedella Booker, garota negra de 18 anos, e do capitão do Regimento Britânico das Índias Orientais, Norval Marley, branco, 50 anos. Pouco antes do nascimento do menino, seus pais estavam de casamento marcado, mas o pai recuou. Bob Marley recebeu pouca atenção do pai inglês. A família britânica não queria o contato com ele, embora o tenha ajudado financeiramente.

Nos anos 50, sem perspectivas de sobrevivência na vila onde Marley nasceu, após o falecimento de Norval Marley, a mãe se mudou com o filho pequeno para Kingston, a capital do país. Naquela época, a capital era considerada a terra dos sonhos dos habitantes do interior, mas não tinha condições de receber a população que se mudava para lá em busca de emprego e condições dignas de vida. Ao contrário, as pessoas se instalavam em favelas, como a família de Marley. A maior e mais pobre destas favelas era a Trench Town, Cidade do Esgoto. O nome foi dado porque ela foi construída sobre as valas para drenagem do esgoto da parte mais antiga de Kingston. Ali começou a vida de Bob Marley.

O primeiro emprego do garoto foi em uma funilaria, mas ele queria ser músico. Um dia, uma fagulha de solda com a qual trabalhava acertou-lhe o olho. Era o que Marley precisava para largar aquilo e partir para a carreira musical. Bob Marley foi ajudado por um cantor chamado Joe Higgs, artista com certa fama que continuava morando em Trench Town, lecionando canto.

Em 1962, Bob Marley conseguiu apresentar seu trabalho para um empresário, Leslie Kong, que o levou para um estúdio para gravar algumas músicas. Suas composições eram ska, gênero musical que combinava elementos caribenhos (mento, calipso), africanos e norte-americanos (jazz, blues e rhythm and blues). As letras abordavam a marginalidade, a discriminação e a insatisfação com a vida difícil dos trabalhadores jamaicanos. Judge Not foi a primeira lançada.

Em 1963, Marley decidiu montar uma banda, a The Wailer, depois chamada de Wailing Wailer. Um percurcionista rastafari chamado Alvin Patterson gostou do som e a apresentou ao produtor Clement Dodd.

Os Wailing Wailer lançaram o primeiro single Simmer Down no final de 1963. No início de 1964, a música era a mais tocada em toda a Jamaica.

Era outubro de 1966, e pouco tempo depois que o Imperador Hailè Selassiè, líder etíope, passou pelo país, levando força ao movimento rastafari. Marley envolveu-se com a crença, e sua música passou a refletir sua fé.

Na época, as canções de Marley começaram a ser dedicadas às questões espirituais e sociais, falando de igualdade e solidariedade entre os povos. O estilo havia mudado de Ska (mais frenético) para o chamado Rock Steady, mas lento, e depois, para o Reggae. Os novos rumos da banda não agradaram o produtor Coxsone Dodd. Mas a banda acreditava em seu trabalho e criou o selo Wail’N’Soul, que faliu em 1967. A banda sobreviveu por causa de um trabalho com Johnny Nash, cantor norte-americano, que, em 1968, fez muito sucesso com Stir It Up, composição de Marley.

Nessa época, a banda conheceu Lee Perry, produtor que transformou as gravações do grupo. Músicas como Soul Bebel, Duppy Conqueror, 400 years, Small Axe foram marcos na carreira da banda e do próprio reggae.

Em 1971, Marley foi tocar na Suécia com Johnny Nash. Foi então que assinou contrato com a CBS. Em 1972, a banda Wailing Wailer foi para a Inglaterra para promover o single Reggae on Broadway.

A repercussão não foi a esperada, e Marley foi à Island Records conversar com seu fundador, Chris Blackwell, oferecendo 4 mil libras para gravar um álbum com as técnicas de gravação mais avançadas e para que a banda fosse tratada como as bandas de rock eram na época. A Island Records foi a primeira gravadora a prestar atenção à música jamaicana.

Aquela gravação, que resultou no álbum Catch a Fire, foi o começo do reconhecimento internacional. O trabalho causou agitação na imprensa por causa do ritmo e das letras das músicas de Marley.

A banda partiu para uma turnê na Inglaterra, depois para os Estados Unidos, tocando em casas de shows e dividindo palco com artistas como Bruce Springsteen e Sly & The Family Stone, maior representante da música negra norte-americana da época. Em São Francisco, a Rádio KSAN transmitiu uma apresentação ao vivo da banda. A gravação ficou guardada por quase 20 anos e lançada em 1991, no álbum Talkin Blues.

Em 1973, os Wailing Wailer lançaram seu segundo álbum pela Island Records. Burnin incluía novas versões de músicas antigas da banda. Uma das músicas novas do disco, a I Shot The Sheriff foi gravada em 1974 por Eric Clapton e tornou-se o single mais vendido dos Estados Unidos naquele ano.

1974 também foi o ano em que Marley passou muitas horas em estúdio, que resultaram no álbum Natty Dread. Nele estavam Talkin Blues, No Woman No Cry, So Jah Seh, Revolution, Rebel Music, entre outras.

Outra turnê pela Europa e, voltando para a Jamaica, Bob Marley se apresentou ao lado de Stevie Wonder. Marley havia se tornado a maior estrela da música jamaicana.

Em 1976, foi lançado Rastaman Vibrations, considerado a melhor mostra do trabalho e das crenças de Bob Marley. O álbum atingiu rapidamente o topo das paradas nos Estados Unidos, e trazia War, uma canção cuja letra fora tirada de um discurso do Imperador Hailè Selassiè na ONU.

Na Jamaica, Bob Marley se tornava importante como artista e como figura política também. A fé rastafari crescia entre os jovens e ressoava nos guetos das cidades. Marley marcou um show para 5 de dezembro de 1976, aberto ao público, no Parque dos Heróis Nacionais de Kingston. Marley queria falar de paz nas ruas das cidades jamaicanas, palco de constantes lutas entre gangues e mortes. Embarcando na iniciativa de Bob Marley, o governo jamaicano convocou eleições para o dia 20 de dezembro daquele ano. As guerras se intensificaram. Atiradores invadiram a casa de Bob Marley e atiraram nele. Ele foi levado para um refúgio nas montanhas no entorno de Kingston, e mesmo se recuperando do ferimento, fez um show rápido no dia marcado, como que para desafiar os atiradores. Depois do show, Marley se mudou para a Inglaterra, onde gravou o álbum Exodus, e só voltaria a se apresentar na Jamaica 8 meses depois. Na Inglaterra, foi preso por porte de maconha.

O álbum chegou rapidamente ao auge do sucesso no ranking inglês, e ali ficou por 56 semanas. Os singles Waiting In Vain, Exodus e Jammin tiveram vendagens surpreendentes.

Em junho de 1977, Marley percebeu uma ferida em seu pé direito. A princípio pensou que tivesse ocorrido em alguma partida de futebol. Mas o ferimento não fechou, e se agravou, levando à queda de uma das unhas dos dedos do pé. Marley consultou um médico, e foi diagnosticado com um tipo de câncer de pele. Os médicos o aconselharam a amputar o pé. Ele se recusou. A amputação feria os princípios do Rastafari. Marley também estava preocupado com a repercussão da cirurgia no público e com a alteração de sua mobilidade e caminhada. Foi feita uma cirurgia para remoção das células doentes, e o pé foi mantido.

1978 foi um ano especial para Bob Marley. O álbum Kaya chegou ao 4° lugar das paradas inglesas na semana de lançamento; este trabalho trazia canções de amor e uma homenagem a ganja (maconha). Em abril daquele ano, Marley voltou à Jamaica para realizar o One Love Peace Concert. No show, Marley fez com que o primeiro ministro jamaicano e o líder da oposição apertassem as mãos. Bob Marley foi convidado para ir à sede da ONU e recebeu a Medalha da Paz.

No final daquele ano, Bob Marley viajou para a África e conheceu o Kenya e a Etiópia, berços do Rastafari. Da visita surgiu o novo álbum com canções como Zimbabwe, So Much Trouble In The Word, África Unite, entre outras. Na capa do disco, chamado Survival, estavam estampadas as bandeiras dos países africanos independentes; ele é uma homenagem à solidariedade Panafricana.

Em abril de 1980, a banda foi convidada pelo governo do Zimbabwe para tocar na cerimônia de independência da nação recém liberta. Foi a maior honra oferecida para os integrantes, e expôs a importância da banda no Terceiro Mundo.

Bob Marley também foi premiado com a Ordem ao Mérito Jamaicana.

A doença se espalhara para cérebro, pulmões e estômago. Naquele ano, Bob Marley havia feito uma turnê na Inglaterra, e quando fazia uma apresentação no Madison Square Garden, em Nova Iorque, desmaiou. A doença o impediria de continuar as apresentações agendadas para os Estados Unidos. Marley foi para Munique tentar um tratamento com um médico local. Depois de vários meses, a doença havia progredido.

Voltando da Alemanha para casa, Bob Marley sentiu-se mal no avião e desembarcou em Miami. Ele foi internado no Cedars of Lebanon Hospital, e faleceu em 11 de maio de 1981, aos 36 anos. Na Jamaica, seu funeral teve honras de chefe de estado, numa cerimônia que misturou elementos da Igreja Ortodoxa e do Rastafari. Ele foi enterrado em Nina Miles, sua vila natal, e, segundo se conta, estavam com ele sua guitarra, uma bola de futebol, um cigarro de maconha e uma Bíblia.


Mãe África, Rastafari, Jamaica e Bob Marley


A vida de Bob Marley reflete a realidade política e religiosa de seu país. A escravatura foi abolida na Jamaica em 1834, mas o sofrimento dos africanos, misturado aos costumes dos colonizadores ingleses, ainda estava na mente e na cultura dos jamaicanos.

No início do século XX, um jovem chamado Marcus Garvey, negro, de família culta e incentivadora, que costumava discutir política e situações da sociedade jamaicana, passou por uma experiência que marcaria sua vida. Sua família morava ao lado da casa de uma família de brancos. Garvey tinha amizade com uma menina de sua idade que, aos 14 anos, foi enviada para a Inglaterra. A menina foi proibida de relacionar-se por carta com o “nigger” (expressão preconceituosa e depreciativa usada contra os negros em países de língua inglesa). Garvey percebeu quão profundo era o preconceito racial em seu país.

Marcus Garvey foi morar na capital da Jamaica, Kingston, que sofreria um grande terremoto poucos anos depois. O acidente resultou em mais miséria numa sociedade já caracterizada pela pobreza. Garvey trabalhava como tipógrafo e era bom no que fazia. Insatisfeitos com os salários, os funcionários da empresa para qual ele trabalhava entraram em greve. Garvey participou ativamente do movimento, que fracassou; ele perdeu o emprego e entrou para a lista negra das empresas de tipografia da cidade.

Garvey ingressou num clube de jornalistas políticos e também se tornou pregador. Tempos depois, ele fundou a Associação Universal para o Desenvolvimento do Negro, que defendia a criação de um país negro na África, liberto da influência branca, que pudesse receber de volta os descendentes dos negros exportados do continente africano para servirem como escravos.

Em suas pregações, Garvey repetia que um messias viria da África, que surgiria como o Rei Negro, 225° descendente da linhagem Menelik, filho do Rei Salomão e da Rainha Sabá, personagens bíblicos, que libertaria os negros da tirania branca. Em 1930, Ras Tafari Makonnen foi coroado imperador da Etiópia e passou a chamar-se Hailè Selassiè.

Os seguidores de Garvey passaram a acreditar que aquele era o messias prometido e o chamavam de Jah ou Jah Rastafari. Deu-se início à religião Rastafari, cujo maior divulgador foi Bob Marley.


Rastafari, Marley e Ganja


Para a religião rastafari, nada que vem da natureza faz mal. Alguns tipos de carnes são desaconselhados. Por isso, muitos dos seguidores se tornam vegetarianos. Para eles, a melhor comida é a erva, alimentos poucos cozidos, sem sal, nem condimentos, nem conservantes, etc. A religião também recomenda os chás.

A maconha (ganja, como é conhecida pelos rastafaris) é recomendada para limpeza e purificação em rituais controlados. Para muitos é o “fumo da sabedoria”, e seu uso acabou secularizado. Marley era um defensor do uso espiritual da maconha. Segundo ele, o uso proporcionava a comunhão. Ele não escondia que era usuário frequente da erva, e cantava-a em suas composições

Texto: Chris Gialucca

26 de abril de 2011


Desde o dia 11 de março, as 81 salas da Rede CineSystem Cinemas exibem um novo vídeo de segurança, a animação em 3D realizada pela Mono3D, com trilha sonora produzida pelo Estúdio Next.

Na animação, cinco personagens- Drop, Bela, Pops, Bombo e Link – são seres invisíveis que fazem a magia do cinema acontecer nas salas da rede com toda a segurança.
Os “Cinelokos” demonstram todas as ações de segurança que devem ser seguidas dentro das salas de cinema. No filme, as personagens, sem que o cliente os veja, em diferentes pontos da sala, corrigindo o comportamento de risco do cliente.

Mauricio Domene, do Estúdio Next, ficou encarregado de compôr a canção que narra as normas de segurança ilustradas pelos personagens. “Em geral, a produção de um vídeo clip começa pela música. De acordo com a letra e o ritmo, são inseridas e editadas as imagens, fazendo a sincronia e envolvendo completamente a atenção do espectador. Mas o processo de criação da música do CineSystem foi diferente. A canção teve q ue se adequar às imagens das personagens que atuavam no clip, cantando o que os bonequinhos estavam ensinando.  A música foi criada em paralelo com a criação da animação”, conta.

O roteiro do vídeo foi escrito também como guia para a letra da música. Então, com um rascunho do vídeo para dar uma idéia do tempo aproximado de cada cena, foi possível compôr a melodia. Com a voz guia e alguns instrumentos gravados, a animação foi alterada para se adequar à música, e depois o contrário. “Um processo que se repetiu muitas vezes”, lembra Domene, “Depois da criação finalizada, instrumentos reais foram gravados,  e o cantor Vavá Rodrigues gravou o vocal definitivo”.

Finalizada a canção, era a hora da sonoplastia. “Os efeitos sonoros de cada gesto das personagens foram colocados em seus lugares: passos, gritos, falas, etc…”

E, como toque final, os efeitos e a música foram mixados em 5.1 (Dolby Surround), para que o som pudesse dar a mesma noção 3D que a imagem dava.


Texto: Marina Gialluca

Estréia hoje (15/abril) na TV SESC as 20h o programa  “Somos 1 Só”.

Primeiro episódio “Cultura e a Casca de Banana”

Roteiro: José Roberto Torero e Gabriella Mancini, direção: Toni Venturi e trilha sonora: Mauricio Domene



Mais informações:

http://www.somos1so.com.br/categorias/cultura/

13 de abril de 2011

Os compositores pediram e conseguiram: Grammy 2012 terá categoria dedicada às trilhas sonoras de videogames!




Os compositores de trilha sonora para videogame estavam sentindo que seu trabalho não era valorizado. Até o último Grammy, este ramo era incluso na categoria de “Melhor Trilha Sonora para Cinema, Televisão ou Outras Mídias Visuais”.

O trabalho com videogames tem atraído muito compositores, inclusive alguns hollywoodianos já agraciados com o Grammy. John Debney declarou que “os videogames criaram um campo incrível para ser explorado por compositores e músicos” e que “a liberdade criativa e as possibilidades artísticas são tão vastas que é um meio muito desafiador”. São dele as trilhas sonoras para Iron Man 2, Predators e o lançamento da Sony para videogame Lair.

Agora, o vice-presidente da associação que organiza o Grammy, a Grammy Foundantion, Bill Fleimuth, anunciou a criação de quatro categorias para incluir as trilhas sonoras para videogame: “Melhor Música para Mídias Visuais (Cinema, Televisão, Videogame e Outras Mídias Visuais)”, “Melhor Trilha Sonora de Complição para Mídias Visuais (Cinema, Televisão, Videogame e Outras Mídias Visuais)”, “Melhor Composição de Trilha Sonora para Mídias Visuais (Cinema, Televisão, Videogame e Outras Mídias Visuais)” e “Melhor Canção Escrita para Mídias Visuais (Cinema, Televisão, Videogame e Outras Mídias Visuais)”.

No começo deste ano, o tema “BabaYetu”, de Chistopher Tin, para o game Civilization IV, ganhou o primeiro Grammy da história do videogame. Os compositores esperam que isso abra os olhos do mundo para o fato de que as trilhas sonoras para videogame empatam em muitos aspectos com as trilhas sonoras de grandes filmes.


Texto: Marina Gialluca

06 de abril de 2011.

Igor Fiodorovitch Stravinsky viveu 89 anos e deixou um grande legado: composições e balés, músicas que influenciaram os estilos de grandes músicos como Frank Zappa e Villa-Lobos.

Stravinsky nasceu em 17 de junho de 1882, em Oranienbaum (atual Lomonosov), na Rússia. Apesar de se interessar muito pela música, ele não teve uma educação musical profunda. Seus pais queriam que ele se tornasse advogado, embora seu pai fosse cantor de ópera imperial e tenha transmitido a Igor a paixão pela música. Quando entrou na faculdade de Direito, começou a compôr e estudar com Nicolai Rimsky-Korsakov, um dos maiores nomes da música russa do final do século XIX e início do século XX e considerado o mais produtivo compositor de óperas da Rússia. (É… Quando alguma coisa tem que acontecer…)

Stravinsky ganhou fama e prestígio no meio musical erudito. Seu estilo, marcado pela tradição russa, ganhou novas características após a 2ª Grande Guerra, quando se mudou-se com sua família para a França. A música tradicional francesa também acabou influenciando as composições de Stravinsky. Já naquela época, alguns compositores norte-americanos se sentiam atraídos por sua obra.

Em dois anos, a filha, a esposa e a mãe morreram. A Europa estava à beira da II Grande Guerra, e Stravinsky aceitou uma posição como cátedra de poesia em Harvard por um ano. Ao final deste período, resolveu ficar, casou-se novamente e mudou-se para a Callifórnia Com isso, ganhou novas influências, mas ainda manteve as tradições musicais eruditas da Rússia e da França.

A obra de Stravinsky influenciou muitos músicos. Sobre ela, Frank Zappa dizia não reconhecer o estilo, mas sim a boa música. Villa-Lobos, que se julgava imune a influências, dialogava com outros artistas em suas obras. No caso de Stravinsky, a peça “Trio 1923”. John Williams também cita Stravinsky na trilha sonora de “Star Wars”.

O vídeo abaixo tem o áudio de uma interpretção de uma das mais famosas composições de Stravinsky, “Pássaro de Fogo”, interpretada pela Orquestra Filarmônica de Londres regida pelo maestro Ernest Ansermet. Vale a pena ouvi-la:




Stravinsky, já idoso, regendo a Sinfonia de Toronto, durante um ensaio Repare na expressão de satisfação no rosto dele. Outro vídeo que vale a pena ser visto:




Texto: Marina Gialluca.

Morreu nesse sábado, dia 26 de março, o compositor pernambucano Luiz Augusto Martins Côrtes, mais conhecido como Lula Côrtes. Nascido no ano de 1950, ele foi um dos primeiros músicos a misturar a música regional nordestina com rock’n’roll, juntamente com Zé Ramalho.

 

Seu primeiro álbum foi lançado em 1973, entitulado “Satwa”, em parceria com seu conterrâneo Lailson. A gravadora foi a Fábrica de Discos Rezenblit, que trabalhou com Côrtes em quatro de seus oito álbuns.

 

“Paêbirú”, seu segundo álbum, foi lançado em 1975, também pela Rozenblit. Este álbum foi fruto da parceria de Côrtes com Zé Ramalho. Teve prensagem únca de 1300 exemplares, das quais apenas 300 chegaram às lojas,  devido uma série de enchentes que destruíram também a fita master e todo o parque industrial da Rozenblut, que anunciou seu fechamento pouco tempo depois.

 

Foi por essa razão que seus dois outros álbuns com a mesma gravadora não foram lançados na época. Um deles, entitulado “Rosa de Sangue”, foi lançado em 2009 pela Time-Lag Records. O outro, “A Mística do Dinheiro”, nunca foi lançado. Outro álbum nunca lançado é “O Pirata”, gravado em São Paulo.

 

Desde a década de 1980, concentrou boa parte de seu trabalho com a banda Má Companhia, além de algumas composições com Zé Ramalho.


Há cinco anos, Lula Côrtes vinha lutando contra um câncer de garganta que se espalhou para o resto do corpo. Ele passou mal durante toda a sexta-feira, dia 25, e veio a falecer na madrugada de sábado, 26. Seu corpo foi sepultado naquela mesma tarde.

 

Texto: Marina Gialluca